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Política

Delação de empresário diz que Witzel montou esquema para cobrar propina de prestadoras de serviços

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Uma reportagem da Revista Veja mostra uma delação feita pelo empresário Arthur Soares, conhecido como o “Rei Arthur”, onde coloca o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel como “Chefe Supremo” de um esquema feito no sentido de extorquir empresas prestadoras de serviços do estado.

As declarações estão com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que recebeu uma proposta de acordo de delação do empresário. As acusações contra o governador são graves e prometem empurrá-lo para o centro de um grande escândalo de corrupção. Vale salientar que estas novas denúncias não estão relacionadas com as aquisições durante a pandemia do Covid-19.

Segundo a revista, o esquema se dar da seguinte forma: O governo inicia alegando que não tem dinheiro suficiente para quitar as dívidas com os credores, sendo assim, o Estado atrasa os pagamentos, acena depois com a possibilidade de uma negociação e, por fim, surge alguém com a solução mágica, que é quem concorda em pagar propina para ganhar a preferência na fila do caixa.

RESPOSTA DE UM JORNALISTA "IMBECIL" PARA UM "SUPREMO MINISTRO" DO STF.

Arthur Soares, o “Rei Arthur” que foi preso no passado em Miami, era até pouco tempo uma autoridade em grandes negócios com as autoridades fluminenses. A sua aproximação do poder fez dele um homem milionário e muito poderoso. O lucro, obtido de forma ilegal, era originado da venda de produtos e serviços superfaturados.

Soares está preso, acusado de ter subornado membros do Comitê Olímpico Internacional para votar a favor do Rio como sede dos Jogos de 2016. Ele promete também denunciar outros esquemas de corrupção em troca da redução de sua pena, que pode chegar a 200 anos. Mas segundo ele, a maior jogada é a chamada “Anexo Witzel”.

O QUE É ANEXO WITZEL?

Nos documentos, revelados pela Revista Veja, o “Rei Arthur” descreve como funcionaria o esquema organizado pelo atual governador. Nele, dois nomes surgem como destaques, o pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC, partido do qual Witzel pertence, e o secretário estadual da Casa Civil e Governança, o ex-deputado federal André Moura. Este é citado como o responsável pelas negociações para o recebimento da propina.

O empresário em sua delação, contou que teve certeza sobre a existência, a dimensão e os personagens envolvidos depois que foi alvo de pressão do governador Wilson Witzel. Ele revelou que tinha cerca de 100 milhões de reais a receber do Estado, mas que, em julho, seu irmão, Luiz Soares, foi avisado de que a dívida seria integralmente quitada desde que ele concordasse em pagar 20% do valor. Segundo ele, não aceitou e que, por isso, o contrato de sua empresa com o governo foi rompido.

A proposta, de acordo com o empresário, teria chegado por intermédio de representantes do pastor Everaldo, uma figura influente no governo. Na época da suspensão do contrato, Luiz Soares procurou um advogado ligado ao chefe da Casa Civil em busca da “solução”.

Foi nesse encontro que André Moura teria reafirmado o pedido de propina e assegurado que, se o empresário topasse o acordo, o dinheiro seria liberado. As negociações seguiram até o dia 27 de dezembro, época em que Arthur Soares disse ter aceitado a proposta e recebido R$ 8,6 milhões para a empresa Cor e Sabor, que fornecia alimentação para o sistema penitenciário, em troca do pagamento de R$ 1,7 milhão em seis parcelas ao Estado.

“Nunca vi esse cara na minha frente nem ninguém ligado a ele. Só ouvi falar das falcatruas dele através de empresas” diz André.

O pastor Everaldo, defende que haja a investigação de suspeitas de irregularidades e a punição dos envolvidos com base em provas. Através de uma nota o presidente do PSC destacou que “não responde pelo governo do Rio” e afirma “não ter relação com o empresário”.

Arthur Soares não deu detalhes de como o dinheiro seria entregue ao secretário, mas ele disse que, àquela altura, já havia decidido colaborar com a Justiça e que aceitar o acordo era parte de uma estratégia para preparar um flagrante. No início do ano, ele apresentou a proposta de delação à Procuradoria-Geral da República.

No seu relato, o empresário anexou documentos, e-mails e mensagens para mostrar que havia uma negociação de propina em andamento. Numa das mensagens, o empresário Sérgio Serrano, um ex-sócio de Arthur Soares que negociava a liberação dos pagamentos junto ao governo, escreve sobre um tal “chefe supremo”, que seria o governador Wilson Witzel, segundo o delator.

Arthur Soares também sugeriu aos procuradores que fosse feita uma ação controlada para monitorar a entrega da propina e rastrear o caminho do dinheiro, mas as tratativas com o Ministério Público não avançaram.

Em nota, o governador disse que se colocou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele ainda reiterou o seu “respeito às instituições e apoia as investigações que estão sendo realizadas pelos órgãos de controle”.

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